Grandes movimentos interferem na rotina de qualquer pessoa. Com o verão batendo à porta, os condomínios localizados no litoral se preparam para muitas mudanças que acometem as cidades turísticas nesta época do ano. O síndico, em seu dia a dia, já lida com diversos desafios e demandas para solucionar. No entanto, no litoral, eles enfrentam um desafio extra: gerenciar um grande fluxo de pessoas chegando em um curto período de tempo, o que exige planejamento.
Atualmente, ainda acontece um fluxo migratório de pessoas que saem da Região Metropolitana para ir morar no litoral? Sim. Antes da pandemia, já vinha ocorrendo de forma gradual a migração dos aposentados que residiam nos grandes centros para as cidades litorâneas. Esses novos moradores buscam mais proximidade com a natureza, alimentação diferenciada, prática de exercícios, segurança, tranquilidade e qualidade de vida. Algumas cidades registraram o aumento de três a quatro vezes o número de moradores fixos.
O que difere um condomínio localizado em uma capital de um que esteja no litoral? Geralmente, os condomínios da capital não dispõem de zelador permanente. Já no litoral, a maioria dos condomínios possui zelador residente. Outra diferença é, justamente, a sazonalidade que é exclusiva dos condomínios do litoral.
Quais são os desafios enfrentados pelo síndico que gerencia condomínios com movimentação sazonal? O administrador deve manter o condomínio sempre organizado, durante os 12 meses, para receber bem os condôminos em qualquer época do ano. Para mitigar os riscos, o síndico precisa realizar o planejamento estratégico das atividades.
Quais são os atributos mais procurados pelos condôminos do litoral? Pelas características geográficas do Litoral Norte gaúcho, os condomínios próximos à beira-mar também estão perto dos centros comerciais. Isso facilita o consumo diário dos alimentos, além da acessibilidade às práticas de lazer. A segurança e o deslocamento ágil também são uma forte motivação.
De que forma a sazonalidade interfere na administração condominial? O aumento considerável acarreta um maior movimento nas áreas comuns, como: maior uso de equipamentos, mais consumo de água – que muitas vezes falta por conta da alta demanda – e de energia elétrica também. Por conta disso, é preciso investir na contratação de mão de obra qualificada. Além disso, o síndico também deve orientar os veranistas sobre as regras básicas de bom convívio.
Como o síndico deve prevenir ou gerenciar os conflitos de convívio durante a alta temporada? Uma boa prática é notificar todos os condôminos antes da alta temporada sobre as regras básicas e as normas de boa convivência durante o veraneio. Fixar os informativos nas áreas comuns é uma medida tradicional, mas que funciona. Além disso, é fundamental que os proprietários que locam suas unidades privativas também orientem e entreguem aos inquilinos as regras do condomínio. Os colaboradores devem estar capacitados para receberem um grande número de pessoas em um curto prazo.
Quais são os atributos fundamentais de um síndico que gerencia condomínios em cidades turísticas?
- Boa escuta: escutar de forma ativa para tornar o diálogo mais eficiente.
- Resiliência: ser capaz de lidar com as situações difíceis ou de fontes significativas de estresse.
- Espírito comunitário: o gestor deve administrar em prol da comunidade e não para si ou para um determinado grupo.
por Augusto Cesar Roesler Smaniotto – gerente da Guarida Imóveis Dep. de Condomínios


